Decoração
A fresca tinta que toca a clara tela
Tenta marca-la com ares de profeta
O azul-piscina fundindo céu e terra
Fundo encantado sob tua face tão bela

Quantas telas? Infinitas telas claras
Que vestiriam teus rosas e meus pastéis
Decorando as ruas presas aos cordéis
Decoração decor, de cores não raras...
 
Mas são raríssimas sim, tais combinações.
Que molham o fogo, adoçam o fel, nos fazem pardais...
 Decifram enigmas dos quadros das razões.

Nos fazem nadar num mar de cenas surreais
Pintar no céu a mais das mais lindas canções

Amor decor, da cor de lírios tom lilás.

Jorge Ervolini – 11.02.2004

Único lucro
Lindas melodias banhadas de dor
Imersas em desilusão e tristeza
Passou no fogo: penhor de riqueza.
Beleza que cobre sutilmente o horror

Foram não só algumas noites no seu parto
Foram anos, foram muitíssimas vidas.
Foi-se o melhor de muitas vindas e idas.
A lindíssima vista do fundo de um quarto.

Farto de seus dias vem o ECAD, seu consolo!
Ele, o próprio bagaço do limão que deu o suco.
 Chora e aflito olha pra trás, cara de tolo.

Em sua amarga alma a vida grava seu sulco.
E é apenas seu das tragédias e dores o dolo.
A desgraça vira poesia: ta aí seu único lucro.

Jorge Ervolini 23.01.2004


Soma que Diminui

Dá-me um pouco da tua dor
Dá-me uma das alças do teu fado
Dá-me um pouco do teu choro
Um pouco dos teus males

Fará menor meu dissabor
Se estivermos lado a lado
Será o teu, o meu socorro
Para as noites tremulares

Eis aqui o ombro meu
 Dele faz teu travesseiro
E do meu cuore o teu abraço

E o mal que está no peito teu
Será tão leve e passageiro
Diminuirá somado ao meu

Jorge Ervolini – 11.03.03